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Mãe que perdeu filho em tragédia de Brumadinho participa de manifestação em Londres

Andresa Rodrigues, mãe de Bruno Rocha Rodrigues, que morreu por causa do rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, participou de uma manifestação na Inglaterra, na manhã desta quarta-feira (19). Ela disse que está em Londres para denunciar o crime da Vale em Brumadinho.

“No dia 25 de janeiro de 2019 a minha vida e a vida de 270 famílias escureceu. A Vale assassinou com requinte de crueldade todas essas pessoas que nós chamamos de joia. E hoje nós não temos 24 joias que não foram resgatadas, não identificadas”.

E continuou: “Então nós estamos aqui para denunciar o crime e para pedir celeridade na identificação dos corpos, pedir que a gente seja tratada com mais humanidade, pedir que a empresa ela [a Vale] reconheça o crime, peça desculpas pelas vidas que nos foram tiradas de forma tão brutal e criminosa”.

Por fim, Andresa pediu que a Vale “seja criminalizada pelas mortes que ela cometeu e que haja uma condenação exemplar para que matar não seja mais um negócio para mineração”.

O único filho dela, Bruno de 26 anos, havia concluído o curso de engenharia de produção e dava início na mineradora a uma carreira com que sonhava.

O que diz a Vale

Em nota, a Vale informou que continua focada nas ações de reparação e prestação de assistência a todos os atingidos do rompimento da barragem e que, até o momento, já foram assinados 192 acordos preliminares trabalhistas com representantes de empregados falecidos e desaparecidos.

Ainda segundo o comunicado, além disso, com a assistência da Defensoria Pública de Minas Gerais, foram assinados 49 acordos de indenização por danos materiais e morais. Outras ações da Vale incluem acolhimento, assistência psicológica, atendimento médico, obras de recuperação de infraestrutura e auxílio financeiro.

A Vale disse que continuará a receber pessoas atingidas que queiram discutir indenizações individuais, sem prejuízo da continuidade das conversas com autoridades, visando a reparar danos coletivos sociais e ambientais.

Conferência em Genebra

A situação dos trabalhadores sobreviventes e dos familiares de quem morreu na tragédia foi tema da Conferência da Organização Internacional do Trabalho em Genebra, na Suíça, nesta terça-feira (18). Uma das convidadas foi Andresa.

Até agora, 246 pessoas morreram. Pelo menos 119 confirmados do Instituto Médico Legal (IML) eram funcionários diretos ou indiretos da mineradora, já que a lama varreu o refeitório e várias estruturas da empresa.

Ela quer que todas as famílias tenham o mesmo alento de poder enterrar seus familiares. Vinte e quatro pessoas continuam desaparecidas. “Nós vamos encontrar todas as nossas joias (…) Tenho um compromisso com Deus e com as famílias: não aceitamos que nenhum corpo fique debaixo daquela lama”, disse.

Via G1

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