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Por que esta semana será decisiva para o futuro do Reino Unido e da União Europeia?

Parte dos parlamentares britânicos vai correr contra o relógio nesta semana, considerada por muitos como a última chance de interferir nos rumos do Brexit – o processo de saída do Reino Unido da União Europeia.

É que nesta semana acaba o recesso e os parlamentares voltam a Westminster, mas o premiê Boris Johnson suspendeu as atividades do Parlamento entre os dias 9 e 12 de setembro e termine no dia 14 de outubro, pouco antes do fim do prazo para o Reino Unido deixar a União Europeia, marcado para 31 de outubro.

O pedido, oficialmente chamado de “prorrogação”, já foi aprovado pela rainha da Inglaterra, Elizabeth 2ª. A manobra de Johnson, na prática, reduziu o tempo hábil que os parlamentares terão para aprovar leis que impeçam o chamado “Brexit sem acordo” – que é a saída da UE sem nenhum arcabouço legal de como ficará a relação entre as duas partes em temas como imigração, comércio e trânsito de pessoas e bens.

A semana que vem, dessa forma, pode ser “a única oportunidade” para discutir o tema e impedir um “Brexit sem acordo”, opinou à BBC o político David Gauke, ex-secretário de Justiça. A partir de 14 de outubro, disse ele, “será tarde demais para o Parlamento fazer algo efetivo”.

“A questão é que não há um mandato para um Brexit sem acordo, não é o que o público quer, segundo pesquisas de opinião, e não é o que foi defendido em 2016 (durante a campanha para o plebiscito que resultou na aprovação do Brexit pelo povo britânico)”, declarou Gauke.

Partidos da oposição britânica emitiram comunicado acusando Boris Johnson de suspender o Parlamento com “o único objetivo” de impedir que os parlamentares discutam uma alternativa ao Brexit sem acordo. Já Johnson defende que a suspensão evita ter que esperar o Brexit “para seguir adiante com nossos planos para o país avançar” e que mesmo com a “prorrogação” será possível debater o Brexit na Casa.

O parlamentar de oposição John McDonnell disse acreditar que o Legislativo será capaz de encontrar uma forma de impedir o Brexit sem acordo, mas que “ninguém deve subestimar” o quão difícil será a tarefa.

A União Europeia, por sua vez, acompanha atentamente os desdobramentos, que impactarão negócios e livre circulação de cidadãos com o Reino Unido, além de encorajar ou não a dissidência de outros países do bloco europeu.

A seguir, veja o que está em jogo:

Por que um Brexit sem acordo preocupa?

Um Brexit sem acordo faria com que o Reino Unido deixasse a UE, em 31 de outubro, sem nenhuma definição de como será esse processo de “divórcio”.

Ou seja, do dia para a noite, os britânicos deixariam o mercado comum europeu e a união aduaneira, algo que causará insegurança e prejuízos econômicos, segundo muitos políticos e empresários. Há, por outro lado, quem diga que essas preocupações são exageradas.

A ex-premiê britânica Theresa May tentou, sem sucesso, fazer com que o Parlamento aprovasse sua proposta de acordo com a UE – motivo pelo qual ela acabou renunciando.

Boris Johnson, por sua vez, já entrou no cargo defendendo que o Brexit não seja mais adiado para além de 31 de outubro, mesmo que sem acordo com os europeus.

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