Liberais Democratas do Reino Unido adotam formalmente política contra o Brexit

O partido britânico Liberal Democrata reforçou neste domingo (15) sua posição contrária ao Brexit, formalmente adotando uma política de interrupção da saída do Reino Unido da União Europeia (UE) se vencer eleição nacional.

O partido detém apenas 18 cadeiras no parlamento britânico de 650 lugares, mas passou a dizer que é o único que defende a interrupção no processo de separação do Reino Unido da UE, esperando conseguir votos entre os 16 milhões de pessoas que votaram pela manutenção da Inglaterra no bloco de países em 2016.

O premiê britânico e membro do partido Conservador, Boris Johnson, está prometendo o Brexit em 31 de outubro, com ou sem acordo de saída. Mas sua política tem dividido seu próprio partido, o que custou a ele a maioria no parlamento e abriu caminho para a possibilidade de eleição geral antecipada.

A conferência dos Liberais Democratas realizada neste domingo formalmente adotou a política de revogação do “Artigo 50”, que em 2017 notificou a UE da intenção da Inglaterra de deixar o bloco. A anulação deste mecanismo cancelaria o Brexit.

“Vamos por um fim ao pesadelo do Brexit que está afundando o país e nos dividindo e começaremos a lidar com as questões pelas quais as pessoas decidiram votar pela saída do país do bloco”, disse o porta-voz do partido para as questões do Brexit, Tom Brake.

Como um partido que nunca conseguiu mais do que 62 cadeiras no parlamento britânico, a perspectiva da líder da legenda, Jo Swinson, de formar um governo está distante –apesar de a política britânica estar vivendo seu momento mais imprevisível em décadas.

Duas pesquisas diferentes divulgadas neste domingo colocam os Liberais Democratas 21 pontos e 8 pontos percentuais atrás dos Conservadores, e também atrás do partido de oposição, Trabalhista.

O Parlamento contra Johnson

A posição dos Liberais Democratas vem após semanas conturbadas na política do Reino Unido. No final de agosto, o premiê Boris Johnson decidiu suspender o funcionamento do Parlamento por cinco semanas.

Os parlamentares ficaram descontentes com a suspensão incomumente longa e às vésperas de um momento em que está sendo definido um dos processos mais conturbados e controversos da história recente do Reino Unido, que é o Brexit.

Com isso, na volta do recesso de verão, a Câmara dos Comuns aprovou uma lei contra um Brexit sem acordo e rejeitou a convocação de uma nova eleição geral no Reino Unido, como queria Boris Johnson. O pedido de um novo pleito daria ao premiê uma possibilidade de tentar restabelecer uma base de apoio.

Suspensão ilegal

Na última quarta-feira (11), o mais importante tribunal civil da Escócia declarou ilegal a suspensão do Parlamento. O governo britânico anunciou que irá recorrer da decisão na Suprema Corte de Londres.

A decisão tomada por três juízes anula uma sentença anterior do mesmo tribunal, que semanas antes tinha afirmado que o premiê não havia infringido a lei.

Porém, a decisão não afetará de imediato o fechamento da Casa, que teve seu último expediente na segunda-feira (9), segundo a BBC. O bloqueio do Parlamento vai até 14 de outubro.

Via G1

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