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União Europeia e Irlanda têm ressalvas em relação a plano de Boris Johnson

O novo plano do Brexit, apresentado pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, na quarta-feira (2) foi recebido com ressalvas pelos representantes da União Europeia (UE) e pelos irlandeses.

Veja detalhes da nova proposta abaixo.

Johnson explicou na terça-feira (2) a sua proposta ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

O plano foi apelidado de “duas fronteiras por quatro anos”. Por ele, a Irlanda do Norte deixará a união aduaneira, mas, durante um período, manterá os padrões para produtos iguais aos da UE durante um período (veja mais abaixo).

Juncker disse que recebeu bem algumas das ideias, mas que outras são problemáticas, de acordo com um comunicado da Comissão.

Os especialistas ainda analisam as propostas em mais detalhes.

“Há progresso, mas para ser franco, ainda há muito trabalho a ser feito para cumprir os três objetivos do ‘backstop’: nenhuma fronteira, uma economia de toda a Irlanda e proteção do mercado comum”, disse o negociador da UE para o Brexit, Michel Barnier, a repórteres.

“Iremos continuar trabalhando para alcançar um acordo. Não ter acordo nunca será a escolha da UE, nunca. Nós iremos continuar trabalhando com a equipe do Reino Unido”.

Negociadores britânicos devem viajar a Bruxelas novamente mais tarde nesta semana.

Irlandeses não acharam promissor

O primeiro-ministro da Irlanda, Leo Varadkar, disse que o plano não é promissor e que dificilmente haverá um acordo em torno dele.

Autoridades irlandesas afirmam que ainda será preciso estabelecer pontos de alfândega para monitorar o comércio de produtos com a Irlanda do Norte.

Além disso, o parlamento da Irlanda do Norte teria o direito de votar para abandonar esse arranjo em quatro anos.

A opinião da Irlanda é importante, porque a União Europeia deverá consultar o país antes de tomar uma decisão sobre a proposta de Boris Johnson.

No Parlamento britânico

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que a solução para o Brexit ainda está um pouco distante, mas afirmou que o “backstop” (salvaguarda) irlandesa tem de ser abolida e que a União Europeia reagiu construtivamente às suas propostas para um novo acordo.

“Enquanto estou aqui hoje, ainda estamos um pouco longe de uma resolução; cabe aos nossos amigos europeus aceitar a necessidade de abordar essas questões”, disse Johnson ao Parlamento.

O premiê saudou as ligações construtivas que teve com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o premiê da Irlanda, Leo Varadkar, bem como o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Johnson reafirmou que, se um acordo não for possível, o Reino Unido ainda assim deixará o bloco europeu em 31 de outubro

O novo plano

Um dos maiores problemas para chegar a um consenso sobre o Brexit é o que acontecerá com a fronteira entre a Irlanda do Norte (que pertence ao Reino Unido, e, portanto, sairá da UE) e a Irlanda, que não é do Reino Unido e vai permanecer na UE.

Hoje, a divisão entre esses dois países é aberta –é assim desde 1998, quando os pontos de checagem foram extintos para diminuir a violência entre os dois países.

O plano de Brexit de Johnson dá ao Parlamento autônomo norte-irlandês o poder de aceitar ou rejeitar as condições a cada quatro anos, por meio de uma votação entre os deputados.

Isso poderia enfrentar a oposição do governo de Dublin e de toda a UE.

O comércio entre as duas Irlandas

Johnson havia rejeitado a proposta da primeira-ministra que o antecedeu, Theresa May. Ela tinha sugerido um mecanismo que ficou conhecido como “backstop”: a Irlanda do Norte teria tarifas de importação semelhantes às da União Europeia e produtos entre as duas Irlandas iriam circular livremente.

A nova proposta também prevê isso, mas apenas até o fim de 2020.

Para transportar produtos, será preciso preencher declarações eletrônicas e inspeções eventuais.

Via G1

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