Cientistas britânicos estão analisando código genético para rastrear o coronavírus no Reino Unido

Cientistas britânicos estão analisando o código genético de amostras individuais de pacientes infectados para rastrear como o coronavírus está se espalhando pelo Reino Unido. As informações são da BBC. Cada amostra do material genético, o RNA, revela uma espécie de cadeia de infecções. Assim, é possível ver quem infectou quem.

Os cientistas da Universidade de Liverpool também podem identificar outros vírus e bactérias nos esfregamos na garganta dos pacientes. Isso ajuda os pesquisadores a entender e explicar a razão de que alguns pacientes, com problemas de saúde, ficam gravemente doentes com o covid-19.

“O objetivo é descobrir quem está ficando doente, que tipo de doença eles têm e por que – é o vírus que está causando isso, o sistema imunológico está respondendo demais ou eles têm algum tipo de superinfecção?” disse o investigador chefe, Prof. Calum Semple, à BBC News.

Abordagem semelhante foi usada para rastrear o surto de Ebola na África Ocidental em 2015. O professor Tom Solomon, diretor do Instituto de Infecção e Saúde Global da Universidade de Liverpool, afirmou que contam com pacientes que não se sabe como foram infectados, mas ao observar seu material genético, e comparando-o com outros, é possível preencher os elos que faltam, em um trabalho de detetive. Isso ajuda a controlar o surto a longo prazo.

Com a coordenação da Universidade de Liverpool, o Protocolo de Caracterização Clínica envolve cientistas de outras universidades do Reino Unido, incluindo Edimburgo, Oxford, Bristol e Glasgow. Os primeiros resultados mostram que é possível sequenciar o RNA do coronavírus e o restante do microbioma respiratório em oito horas.

O líder da equipe, Prof. Julian Hiscox, que já estuda outro coronavírus junto a outros cientistas da Arábia Saudita, explicou que, em casos graves de Mers (a síndrome respiratória do Oriente Médio), as pessoas tendem a morrer porque eles também tem outras infecções, como a klebsiella, que pode causar pneumonia.

“Agora podemos identificar todo o microbioma subjacente, vírus e bactérias nas amostras dos pacientes, para que possamos informar aos médicos que eles podem ter uma infecção bacteriana que pode ser tratada com antibióticos”.

A equipe do Prof. Hiscox está usando o MinION, um seqüenciador portátil desenvolvido pela Oxford Nanopore Technologies. O Mers, que surgiu em 2012, causou mais de 800 mortes. Tem uma taxa de mortalidade de um em cada três pessoas, um índice muito maior do que o coronavírus, mas é muito menos contagioso que o covid-19.

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