Israel e Palestina estão trabalhando em cooperação contra o coronavírus na Terra Santa

O coronavírus segue apresentando histórias das mais inusitadas e diferentes possíveis. O mais recente envolve uma trégua improvável entre israelenses e palestinos, que uniram esforços para conter o avanço da contaminação na Terra Santa.

Nas últimas três semanas, representantes dos dois lados se encontram regularmente para coordenarem medidas em um escritório conjunto. O endereço, por razões de segurança, é mantido em segredo.

“A saúde de todos os cidadãos da região está acima de tudo, e é nossa principal prioridade. Continuaremos a agir em colaboração com a Autoridade Palestina em um esforço conjunto”, diz o major Yotam Shefer, chefe do departamento internacional da administração civil israelense na Cisjordânia.

Israel já anunciou o envio de 20 toneladas de desinfetante para a Cisjordânia, além de 400 kit para testes do coronavírus. Também enviará 500 kits de equipamentos de proteção para os médicos e forças de segurança palestinas. Os dois lados também realizam juntos workshops com as equipes médicas. E estão montando um hospital de campanha na fronteira com a Faixa de Gaza.

Outra medida tomada em comum acordo foi a permissão para que 70 mil trabalhadores palestinos entrem em Israel, para manter seus empregos no país. Eles trabalham em setores como a construção civil, agricultura, indústria e serviços em geral. Normalmente 100 mil palestinos vão para Israel diariamente para trabalhar, então esta medida permite que os trabalhos sejam mantidos.

Estes trabalhadores terão que ficar em Israel por um ou dois meses, e serão hospedados por seus empregadores israelenses, pois a fronteira com a Palestina foi fechada, com exceção da passagem de doentes e médicos. Palestinos que adoecerem, serão tratados em hospitais israelenses.

As autoridades acreditam que 400 mil pessoas já perderam ou perderão o emprego pelos próximos dias. E, em Israel, até o momento foram registrados 677 casos confirmados de covid-19, e nenhuma morte. Em Israel, o governo proibiu reuniões com mais de dez pessoas, e apenas 30% da força de trabalho em repartições públicas e empresas privadas estão autorizados a trabalhar.

O major Shefer elogiou os esforços dos palestinos para contar a epidemia na região. “Eles estão levando tudo a sério”, afirmou, apontando medidas como a proibição das rezas em mesquitas e igrejas.

Os “muezim” (encarregados de anunciar em voz alta, do alto dos minaretes, o momento das preces) têm repetido as palavras “rezem em casa, rezem em casa”. O vaivém de pessoas diminuiu drasticamente nas cidades palestinas, que mantêm apenas serviços básicos abertos.

O presidente de Israel, Reuven Rivlin telefonou nesta quarta para o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, para falar sobre os efeitos do coronavírus na região.

“O mundo está lidando com uma crise que não distingue pessoas ou endereços. Nossa capacidade de trabalhar juntos em tempos de crise também é prova de nossa capacidade de trabalhar juntos no futuro para o bem de todos nós”, disse Rivlin. Abbas agradeceu a coordenação de esforços.

Até esta quarta-feira (18), o Ministério da Saúde palestino havia registrado 44 doentes com Covid-19, a maioria (40) em Belém. A cidade foi colocada em quarentena e está fechada para turistas, assim como a Igreja da Natividade.

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