Idosa de 108 anos faz vídeo alertando para os perigos do coronavírus

Ela viu praticamente tudo o que a história recente registrou. Nascida em 1912, viu outra pandemia: a Gripe Espanhola. Viu também as duas guerras mundiais, a ida do homem à Lua, a Guerra Fria, o Muro de Berlim, a ascensão dos Beatles, a coroação da Rainha Elizabeth II, a Guerra do Vietnã, entre outros eventos que marcaram os séculos XX e XXI. Agora, chegou a vez de ver mais um episódio: o coronavírus.

A aposentada Maria Antônia Vaz, mais conhecida como “vó Antônia”, que completou 108 em dezembro, conta que apesar de já ter vivido muito, nunca viu algo tão cruel como a covid-19, doença que tem feito não só ela, mas milhões de brasileiros ficarem em isolamento domiciliar.

Pertencente ao principal grupo de risco, o dos idosos, vó Antônia deixou de fazer algumas das coisas que mais gosta na vida — sair para passear e conversar com as amigas. E fez questão de gravar vídeos e publicá-los em suas redes sociais para alertar os idosos sobre o perigo de desrespeitar a orientação nesse momento.

“Eu nunca vi uma doença tão brava como essa agora”, diz ela para Universa. “A situação está muito complicada e muita gente está morrendo. Antigamente até tinha algumas doenças, mas não matava tanto como agora. Todos têm que ficar em casa por causa desse vírus, que é perigoso”, alerta.

No vídeo gravado e publicado nas redes sociais, além de pedir para que os idosos não saiam de casa nesse período, vó Antônia também dá dicas de como se prevenir, usando o álcool em gel, por exemplo.

“Ele [coronavírus] é um bichinho que vem e pega a gente, então tem que pegar o álcool em gel e passar bem nas mãos para matar ele”, diz, em um trecho do vídeo:

De acordo com a neta Claudia Natalina de Oliveira, a avó é cuidadosa com a sua saúde, acompanha os noticiários e presta atenção às recomendações para se prevenir da doença — e segue tudo à risca.

“A vó perdeu um filho de 4 anos que morreu por causa da febre tifoide. Ela sentiu na pele como é perder alguém por causa de uma doença”, conta a neta. “Então crescemos ouvindo os ensinamentos dela sobre os cuidados que devemos ter com a saúde nossa e a de quem amamos.”

Rotina da casa mudou

Cindo pessoas moram na mesma casa que vó Antônia. Três delas continuam trabalhando e, por isso, a rotina precisou passar por alterações.

Segundo Claudia, quem chega da rua tem que entrar pelos fundos da residência. Lá, eles trocam de roupa, deixam o sapato e só depois entram no imóvel, seguindo já para o banho. Além disso, há um frasco de álcool em gel nas duas portas de entrada da residência.

“Não estamos recebendo visita. Todo o carinho com a vó agora é pela internet. Quase todos os dias ela faz chamada de vídeo com os netos e bisnetos para conversar”, conta a neta.

Claudia lembra ainda que mesmo os integrantes que moram na casa não podem beijar e abraçar a vó. E acrescenta que a aposentada tem uma boa saúde, não tem doenças como pressão alta e diabetes e dificilmente fica doente.

“Não é fácil, mas é tudo pela prevenção dela”, diz.

Andar de moto é plano para o pós-pandemia

Vó Antônia integra o grupo da terceira idade do município de Pato Branco e três vezes por semana se reúne com os amigos para fazer diversas atividades culturais. Sem poder sair de casa, a aposentada conta que faz questão de ir ao quintal tomar sol pela manhã.

“Eu já estou em casa há vários dias. É uma doença muito perigosa que atinge os pulmões e está matando os idosos. Então durante esses dias eu tomo sol atrás da casa e assisto televisão”, conta.

Apesar de estar seguindo uma rotina mais calma, vó Antônia sabe bem o que vai querer fazer assim que a situação melhorar e ela puder sair de casa.

“Quando puder sair de novo, quero ir ver meus amigos, passear, caminhar e andar de moto”, diz.

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