Estudo mapeia propagação do coronavírus no Reino Unido, e afirma que bloqueio teve resultados positivos

Um estudo recente, realizado pelo consórcio Covid-19 Genomics UK (Cog-UK), buscou mapear o coronavírus no Reino Unido. Além de entender como que o vírus entrou no país, e quem foi o “paciente zero”. O estudo diz que o coronavírus foi levado para o Reino Unido em pelo menos 1.300 ocasiões diferentes, o que mostra que não há como encontrar o “primeiro paciente” infectado.

A análise mostra, também, que a China, local em que a pandemia se iniciou, teve um impacto insignificante na transmissão de coronavírus no Reino Unido. Os primeiros casos de infectados vieram de países europeus, em sua grande maioria. A pesquisa analisou código genético de amostras virais colhidas de mais de 20 mil pessoas que foram contaminadas com o coronavírus no Reino Unido.

Assim, como se fosse um “grande teste de paternidade”, a pesquisa busca criar uma espécie de árvore genealógica do vírus. Além do código genético, dados de viagens internacionais também foram avaliadas. Desta forma, se descobriu que a epidemia de coronavírus no território não tinha apenas uma origem, de uma pessoa infectada que chegou no país e contaminou outras mais. Mas sim, 1.356 origens.

Cada uma destas ocasiões contou com alguém que, chegando do exterior, trouxe a infecção, e começou a espalhar, silenciosamente, o vírus pelo país. “A conclusão surpreendente e emocionante é que descobrimos que a epidemia no Reino Unido resultou de um número muito grande de importações separadas”, disse o professor Nick Loman, da Cog-UK e da Universidade de Birmingham. “Não era um paciente zero”, acrescentou.

A China e o futebol não foram transmissores diretos de coronavírus

O estudo diz que menos de 0,1% dos casos de coronavírus importados vieram da China. O que trouxe o vírus ao país foi entradas ao país por pessoas da Itália no final de fevereiro, Espanha no início de março, e depois a França, no final de março. “A grande surpresa para nós foi a fluidez do processo, a taxa e a origem da introdução do vírus mudaram rapidamente ao longo de apenas algumas semanas”, disse o professor Oliver Pybus, da Universidade de Oxford. “Isso aconteceu depois do que esperávamos”, acrescentou Loman.

Assim, a pesquisa estima que 80% desses casos iniciais chegaram ao país entre 28 de fevereiro e 29 de março – a época em que o Reino Unido estava debatendo se deveria bloquear o país ou não. Após esse ponto, o número de novos casos importados diminuiu rapidamente.

O primeiro caso poderia ser rastreado até o início de fevereiro. Mas ainda é possível que houvesse casos ainda mais antigos, os quais a análise não identificou. O estudo também fala sobre uma partida de futebol polêmica. Liverpool x Atlético de Madrid, que aconteceu no dia 11 de março, pela Champions League, teve pouco impacto na disseminação do vírus no país.

Na ocasião, cerca de três mil espanhóis foram ao Estádio Anfield, em Liverpool, para acompanhar a partida. Mas em meados de março, havia cerca de 20 mil pessoas vindas da Espanha todos os dias, entrando no país. “[Isso] mostra que eventos individuais, como partidas de futebol, provavelmente contribuíram de maneira insignificante para o número de importações naquele momento”, diz o estudo.

Bloqueio fez bem para o controle da pandemia

Os casos importados iniciaram uma cadeia de transmissão. Pela qual o vírus foi transmitido de uma pessoa para a outra, em uma escalada que gerou os números que hoje estão em nosso conhecimento. E, assim, o estudo conclui afirmando que o bloqueio foi útil, interrompendo de maneira profunda a propagação do vírus. “Se houver boas notícias aqui, essas cadeias de transmissão foram e estão sendo suprimidas e extintas como resultado do distanciamento social e continuamos vendo isso agora”, disse Loman.

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