‘Covid positivo na casa’: infectada deixa aviso na lixeira de casa

‘Covid positivo na casa’. A mensagem, escrita com caneta colorida em uma folha de caderno, foi colada na lixeira em frente à casa da fonoaudióloga Ana Carolina Ramos, no Jardim Soares, em Barretos (SP), após a profissional de 24 anos ser confirmada com a doença.

Ela mora com outras duas amigas da mesma idade, que aguardam o resultado de exames. Em casa, cada uma das moradoras fica no próprio quarto e, nas áreas comuns, as três só se encontram com a máscara no rosto.

O trio está isolado desde o diagnóstico positivo de Ana Carolina, na quinta-feira (13).

“Se mantivermos o isolamento social, a gente consegue não passar para tantas pessoas. Só que a gente continua produzindo lixo e, na hora que a gente coloca o lixo lá fora, a gente está colocando em risco quem mexer, independente se for gari ou algum catador de papelão (…). Com o aviso, eles podem ter um cuidadinho a mais”, afirma.

Os cuidados das moradoras seguem até mesmo para as compras essenciais. Como ninguém está saindo de casa, outras pessoas vão ao mercado para elas e deixam os produtos no portão. Uma das meninas sai e pega.

“Todo mundo que bate aqui no portão, falamos que não tem como sair (…). A gente está bem, mas quem garante que as pessoas que podem ser contaminadas também fiquem bem? É para prevenir mesmo”, explica.

Sintomas leves

Natural de Pederneiras (SP), Ana Carolina atua como fonoaudióloga residente no Hospital do Amor. Na unidade, referência nacional no tratamento de pessoas com câncer, trabalha com pacientes adultos diagnosticados com tumores na cabeça e pescoço.

Além disso, é funcionária na área de internação e Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa de Barretos e lida, às vezes, com pacientes infectados com a Covid-19.

Os primeiros sintomas da doença nela apareceram na segunda-feira (10), quando teve tosse. Por ser alérgica, não pensou que fosse o novo coronavírus.

Dois dias depois, na quarta-feira (12), a tosse piorou e o nariz estava escorrendo. Foi orientada a buscar atendimento médico e fez o exame RT-PCR, considerado padrão ouro para a detecção da doença.

Na quinta-feira, saiu o resultado positivo e Ana Carolina foi imediatamente afastada dos trabalhos.

“Eu ficava um pouquinho ofegante para dar orientação para os pacientes e para subir escadas, mas achei que era só por causa da coriza, do nariz escorrendo. Febre eu não tive, mas eu estava com bastante tosse, espirrando e sentindo calafrio”, relata.

A fonoaudióloga conta que está se recuperando bem e deve passar por uma nova avaliação da equipe médica na quarta-feira (19). Caso o quadro esteja melhor e ela não for mais transmissora do vírus, vai poder voltar ao trabalho.

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