Startup fatura milhões alugando eletrônicos – e permite que outras pessoas lucrem com isso

Quando o assunto é aluguel, os imóveis são provavelmente a primeira imagem que vêm à sua cabeça. Os veículos também ganharam espaço nesse mercado nos últimos anos. A ambição da startup Allugator é popularizar uma outra vertente: o aluguel de smartphones, notebooks e outros aparelhos eletrônicos.

Os dispositivos são ofertados em um modelo por assinatura que pode durar de três meses a um ano, com valor que chega a representar 40% do preço de varejo. O modelo de negócio ainda abre espaço para investidores. A startup capta recursos para formar seu estoque oferecendo títulos de renda fixa que podem render até 13% ao ano.

A Allugator foi fundada em 2016 pelos mineiros Cadu Guerra e Pedro Sant’Anna. Até então, Guerra cursava a faculdade de Direito e tinha tudo para seguir uma carreira tradicional – menos a vontade. “Eu não via motivação para fazer aquilo. Até empreendi, fui produtor de eventos, mas não encontrei nada que achasse que era para a vida.”

O caminho mudou depois que ele conheceu o conceito de economia circular durante um curso. Um exemplo citado pela palestrante ficou cravado em sua memória: ela questionou por que alguém compraria uma furadeira se apenas precisava de um furo na parede. “Aquilo me deu um estalo. Decidi criar um site para as pessoas alugarem coisas em vez de comprar.”

Ele falou sobre a ideia com Sant’Anna, seu amigo de infância, e os dois embarcaram juntos no projeto em setembro de 2015. Quatro meses depois, a primeira plataforma da Allugator estava no ar. A proposta inicial permitia que usuários alugassem os próprios objetos para outras pessoas.

A startup realizou três rodadas de investimento-anjo, reunindo nomes como Renato Freitas, cofundador da 99. Os cerca de R$ 800 mil captados ajudaram a aprimorar o modelo e a sustentar a operação nos primeiros anos. “Quando acertamos no modelo, escalamos muito rápido e começamos a crescer lucrativos.”

Modelo Duplo

A proposta atual da Allugator teve início no final do ano passado. O estoque próprio de aparelhos foi adotado antes, mas uma adaptação ainda era necessária: deixar de lado os aluguéis por diária. “O problema desse aluguel flexível era que o usuário fazia associação a demandas pontuais, mas não pensava em substituir a compra. Isso é o que sempre quisemos.”

Hoje, consumidores podem alugar um aparelho por três, seis ou 12 meses. Entre as opções estão smartphones, notebooks, câmeras fotográficas, videogames e smartwatches. Os celulares são a opção mais popular, com destaque para os modelos de iPhone e Samsung Galaxy. A startup já atendeu 6 mil usuários e hoje tem uma base ativa de 2 mil.

A compra dos aparelhos é feita por lotes, o que garante preços mais vantajosos. Todos contam com seguro contra danos, roubo e furto e são revendidos após um período que varia de acordo com o aparelho. Em alguns casos, segundo a startup, é possível revendê-los por um preço acima do que foi pago. Os usuários também têm a opção de compra após o término do período contratado.

Os recursos para a compra dos dispositivos vêm de investimentos externos. Em parceria com fintechs, a Allugator emite cédulas de crédito bancário (CCB) que garantem rentabilidade pré-fixada a quem aporta. O modelo atrai tanto investidores pessoa física quanto gestoras e family offices. “Nesse momento de economia, os investimentos em crédito tradicionais estão performando pouco. Vimos que esse produto seria bem recebido”, diz Guerra.

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