McDonald’s e Nestlé pressionam Reino Unido para proibir venda no país de produtos ligados a desmatamento

Dezenas dos maiores supermercados, redes de fast-food e fabricantes de alimentos do Reino Unido pediram que o governo britânico adote regras mais rígidas para proibir importação de produtos relacionados ao desmatamento legal ou ilegal.

A rede de lanchonetes americana McDonald’s, a rede de supermercados britânica Tesco e a multinacional de alimentos suíça Nestlé estão entre as 21 empresas que escreveram ao governo do Reino Unido com propostas para proibir grandes companhias que operam no país de vender carne bovina, soja e outras commodities importantes que possam estar relacionadas a práticas de desmatamento.

A carta também foi assinada pela processadora de aves Moy Park, subsidiária da brasileira JBS, que tem sido alvo de ativistas ambientais nos últimos meses em meio às notícias sobre o aumento do desmatamento na Floresta Amazônica e a política ambiental controversa do governo de Jair Bolsonaro.

O Departamento de Meio Ambiente, Alimentos e Assuntos Rurais conduz uma consulta pública sobre um plano para exigir que empresas que atuem no Rino Unido comprovem que as commodities alimentícias que importam têm origem em produção que cumpre leis ambientais em seus países.

No entanto, a proposta das empresas é ir além: proibir ingresso de produtos relacionados a desmatamento, mesmo que autorizado pelo governo local.

O manifesto, que inclui também varejistas como Asda, Sainsbury e Mondelez International, argumenta que as exigências britânicas precisam ser aplicadas a todo desmatamento, não apenas onde a prática é considerada ilegal.

No Brasil, por exemplo, há margens permitidas de desmatamento em uma propriedade.

A visão é compartilhada por grupos ambientalistas como o Greenpeace, segundo o qual as propostas têm falhas, porque as leis locais podem ser muito fracas, especialmente no Brasil.

O desmatamento responde por 11% dos gases de efeito estufa, e a grande maioria é causada pela produção de commodities agrícolas, estima o departamento britânico. Em alguns países, até 90% das florestas são derrubadas ilegalmente.

– Não podemos resolver esse problema por conta própria e precisamos de uma legislação que garanta relatórios abrangentes e padronizados em toda a cadeia de abastecimento, juntamente com incentivos para fornecedores que buscam uma produção mais ecologicamente responsável – disse Chris Brown, diretor de compras sustentáveis da Asda.

As empresas também querem que as leis se apliquem com base no impacto sobre o desmatamento, em vez do volume de negócios.

%d blogueiros gostam disto: