Covid-19: Reino Unido infectará voluntários para testes de vacina

O governo do Reino Unido anunciou, nesta terça-feira (20/10), que terá testes de “desafio humano” para acelerar o desenvolvimento da vacina contra a covid-19. Nesse tipo de procedimento, os voluntários são infectados deliberadamente com o vírus. Caso sejam aprovados pelo Conselho de Ética, os estudos vão começar em janeiro, e os resultados são esperados para março de 2021.

Segundo o governo, o estudo será feito, inicialmente, com até 90 voluntários, jovens e saudáveis, com idades entre 18 e 30 anos. Além disso, serão usadas doses controladas do novo coronavírus. Na fase inicial, a intenção será saber qual a menor quantidade de vírus que pode provocar o desenvolvimento da doença.

Nos estudos atuais, os voluntários recebem a vacina e voltam para a vida normal. Os pesquisadores precisam esperar, então, que eles possam ou não ter contato com o vírus para saber se a imunização funciona.

Os estudos serão conduzidos pelo Imperial College de Londres, pela empresa de serviços de laboratório e testes hVIVO e pela Royal Free London NHS Foundation Trust. O governo irá investir 33,6 milhões de libras (equivalente a cerca de R$ 244 milhões) nos estudos. Os resultados, de acordo com o Imperial College, poderá apontar quais vacinas são mais eficazes contra a doença. Por enquanto, ainda não foram anunciadas quais vacinas farão parte dos testes.

“Os estudos de desafio humano podem aumentar nossa compreensão da covid-19 de maneiras únicas, e acelerar o desenvolvimento de muitos novos tratamentos e vacinas em potencial”, disse Chris Chui, do Imperial College, em comunicado.

Esse tipo de pesquisa, porém, é polêmica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou que o estudo precisa ser monitorado por um comitê de ética e que análises desse tipo geralmente só são feitas quando se há um tratamento para a doença.

“Geralmente, esses ensaios são feitos quando temos um tratamento específico. Você aplica a vacina e depois expõe a pessoa ao vírus. Portanto, você deve garantir que todos os envolvidos entendam exatamente o que está em jogo, entendam todos os riscos”, disse a porta-voz da OMS, Margaret Harris. O método já foi usado em testes de vacinas contra febre tifóide, cólera, zika e malária.

Apesar de tudo, os voluntários fizeram fila para participar do estudo. Mais de 38 mil pessoas se inscreveram no 1Day Sooner, ONG que apoia os testes de “desafio humano”, afirmando terem interesse em serem voluntários em estudos do tipo. Por enquanto, para participar do estudo da Imperial College, os possíveis voluntários podem acessar o site UK Covid Challenge.

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